Terça-feira, Junho 30, 2009

Contrastes

foto: Leça da Palmeira

Domingo, Junho 21, 2009

Foto: Vale de Milhaços

"Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente"


Virginia Woolf

Sexta-feira, Junho 19, 2009

foto: Liechtenstein

"A paz. Procura-a. Mas uma paz que te trespasse todo e não a que te descanse apenas a superfície como a um pedinte que dorme num banco de jardim."

Vergilio Ferreira in Conta-Corrente 5

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Foto: Costa da Caparica

Follow

Follow your heart and see where it might take you
Don't let the world outside there break you
They know not who you are inside
They have never felt your hell
Don't ever let them crack...

Hold out I know you feel it getting cold out
Without the blanket for your soul now
Before you know it you'll be frozen
You have to see this through
There's no one here but you

I feel the rain coming down
It reminds me of who I used to be
But now that's nothing more
Then a memory

Don't go, to sleep and cry because tomorrow
If you let it it will swallow
You up and none of this will matter
Will matter anymore

I feel the rain coming down
It reminds me of who I used to be
But now that's nothing more
Than a memory

I feel the rain coming down
It reminds me of who I used to be
But now that's nothing more
Than a memory

Follow your heart and see where it might take you
Don't let the world outside there break you
They know not who you are inside
They have never felt your hell
Don't ever let them crack...Your shell...

Brandi Carlile in Brandi Carlile

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Foto: Lisboa - A caminho do Castelo
"Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz."

Fernando Pessoa in Livro do Desassosssego

Sábado, Junho 13, 2009

Foto: Ilha de Mainau - Alemanha

Amor Abre a Janela

Meu amor, abre a janela
Que eu vou passar junto dela
Quando chegar a tardinha
Mas não chames p‘lo meu nome
Porque a saudade encontrou-me
E eu posso não estar sozinha.

Prendi no peito uma flor
Que diz mais do meu amor
Do que tristezas sem fim
Mas não venhas a correr
Que ninguém deve saber
O que tu sentes por mim.

E depois não tenhas medo
Eu sei amar em segredo
E vou passar de mansinho
Sem levantar a cabeça
Pra que ninguém me conheça,
Tu podes não estar sozinho.

Só quando a noite cair
É que me atrevo a subir
Para te pôr na lapela
A dor da minha saudade,
Mas como o frio nos invade
Meu amor...fecha a janela

Mafalda Arnauth in Flor do Fado


Quinta-feira, Junho 11, 2009

Foto: Loja "Maria vai com as outras" - Porto

Mais de dois anos passaram desde do último post por mim publicado neste espaço. Não o abandonei, passei com frequência por aqui à espera do momento em que tivesse a vontade de voltar e de partilhar de novo muito da minha forma de comunicar.

Hoje é o dia em que me faz sentido voltar...

Terça-feira, Setembro 19, 2006


foto: Porto

Lavava no Rio Lavava
letra: Amália Rodrigues

Lavava no rio lavava
Gelava-me o frio gelava
Quando ia ao rio lavar
Passava fome passava
Chorava também chorava
Ao ver minha mãe chorar

Cantava também cantava
Sonhava também sonhava
E na minha fantasia
Tais coisas fantasiava
Que esquecia que chorava
Que esquecia que sofria

Já não vou ao rio lavar
Mas continuo a chorar
Já não sonho o que sonhava
Se já não lavo no rio
Por que me gela este frio
Mais do que então me gelava

Ai minha mãe minha mãe
Que saudades desse bem
Do mal que então conhecia
Dessa fome que eu passava
Do frio que me gelava
E da minha fantasia

Já não temos fome mãe
Mas já não temos também
O desejo de a não ter
Já não sabemos sonhar
Já andamos a enganar
O desejo de morrer



Gosto muito de ouvir esta música na versão da Ana Moura no seu primeiro álbum "Guarda-me a vida na mão»

Sábado, Setembro 09, 2006

Marisa Monte ao vivo no coliseu do Porto






Fotos: Concerto de dia 6 de Setembro no coliseu do Porto

Na passada quarta-feira, Marisa Monte proporcionou-me um dos concertos mais bonitos que já tive o prazer de assistir. Com cenários que contrastavam entre a simplicidade das imagens e a complexidade de toda uma estrutura montada em palco.
Um concerto constítuído maioritariamente por músicas dos seus dois últimos albúns, mas que não deixou de ter presente músicas popularizadas pelos Tribalistas e de álbuns mais antigos como este «Segue o seco», que para mim foi um dos momentos altos do concerto não só pela bela música, mas por toda a iluminação e cenografia montada.
Para quem não teve ainda a oportunidade de assitir a um concerto da Marisa Monte, ainda poderá assistir amanhã em Lisboa, ao último concerto em Portugal. Vale mesmo a pena!!


Segue o Seco
Carlinhos Brown e Marisa Monte

A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
sem sacar que o espinho é seco
sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino secará
Ô chuva vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ó chuva preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoado céu
Pode ser pouco meu amor

Marisa Monte in «Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão»

Quarta-feira, Agosto 16, 2006


foto: Ponte 25 de Abril

Música
(José Luis Peixoto)

Como um raio a rasgar a vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma cidade secreta
a levantar-se do chão, como água, como pão

Como um instante único na vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma pétala dessa flor
a levantar-se do chão, como água, como pão,

Assim nasceste no meu olhar, assim te vi,
flor a florir desmedida, instante único
a levantar-se do chão, a rasgar a vida,

Assim nasceste no meu olhar, assim te amei,
vida, água, pão, raio a rasgar uma cidade secreta
a levantar-se do chão, flor a florir desmedida

Anaifa em "Canções subterrâneas"

Os Anaifa são para mim um dos projectos mais interessantes que surgiram nos últimos tempos. Não preciso de dizer que aconselho sem dúvida a audição quer do primeiro cd "Canções Subterrâneas" como também do segundo "Três minutos antes da maré encher".

Domingo, Julho 30, 2006

foto: Oceanário de Lisboa

O LADO BOM DA SAUDADE
(João Monge/Luis Represas)

Talvez o vento
Talvez as marés
Talvez o jeito
De seres como és
Fossem as ondas
A bater baixinho
Lá onde o mar faz o ninho

Estavas na praia
Os gestos discretos
Eram mistérios
De outros alfabetos
Puseste a mesa
Deste-me um lugar
E eu acabei por ficar

Não sei que nome te dar
O teu nome verdadeiro
Menina de olhar o mar
Saudades do mundo inteiro

Tu sorrias
E eu fui ficando
Por mais uns dias
(nem me lembro quando)
Contei-te historias
De tudo o que passei
E outras que eu inventei

Juntaste as mãos
Á frente do peito
Disseste adeus
Não perdeste o jeito
De me dizer
Que a eternidade
É o lado bom da saudade

Luis Represas no álbum «Código Verde»

Terça-feira, Julho 18, 2006


Foto: Vale de Milhaços

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

(...)

Alberto Caeiro

Segunda-feira, Julho 03, 2006


foto: Lisboa, Graça

Eu
Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino, amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Aconselho vivamente a audição deste poema na lindíssima voz da Ana Laíns que tão o bem interpreta na forma de fado. A encontrar no seu álbum de estreia "Sentidos".

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Foto: Parque das Nações

Brisa do Coração

O segredo a descobrir está fechado em nós
O tesouro brilha aqui embala o coração mas
Está escondido nas palavras e nas mãos ardentes
Na doçura de chorar nas carícias quentes

No brilho azul do ar uma gaivota
No mar branco de espuma sonoro
Curiosa espreita as velas cor de rosa
À procura do nosso tesouro

A brisa brinca como uma gazela
Sobre todo o branco e a rua do Ouro
Curiosa espreita a fenda da janela
A procura do nosso tesouro

Dulce Pontes

Quarta-feira, Maio 10, 2006

As luzes da noite
Num passeio de carro, Abril de 2006

Quinta-feira, Abril 20, 2006

Foto: Braga

Primavera
David Mourão-Ferreira/Pedro Rodrigues

Todo o amor que nos prendera
Como se fora de cera
Se quebrava e desfazia
Ai funesta primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia

E condenaram-me a tanto
Viver comigo meu pranto
Viver, viver e sem ti
Vivendo sem no entanto
Eu me esquecer desse encanto
Que nesse dia perdi

Pão duro da solidão
É somente o que nos dão
O que nos dão a comer
Que importa que o coração
Diga que sim ou que não
Se continua a viver

Todo o amor que nos prendera
Se quebrara e desfizera
Em pavor se convertia
Ninguém fale em primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia
Mariza in «Fado Curvo»

Segunda-feira, Março 20, 2006

Foto: Porto

Sexta-feira, Março 10, 2006


foto: Rua Augusta, Lisboa

Que Deus

Boss AC

Há perguntas que têm de ser feitas!
Quem quer que sejas
Onde quer que estejas
Diz-me se...
É este o mundo que desejas!?

Homens rezam, acreditam,
Morrem por ti!
Dizem que estás em todo o lado
Mas não sei se já te vi!
Vejo tanta dor no mundo
Pergunto-me se existes!?

Onde está a tua alegria
Neste mundo d'homens tristes!?
Se ensinas o bem
Porque é que somos maus por natureza!?
Se tudo podes
Porque é que não vejo comida à minha mesa?

Perdoa-me as dúvidas
Tenho que perguntar
Se sou teu filho e tu me amas
Porque é que me fazes chorar?

Ninguém tem a verdade
O que sabemos são palpites
Sangue é derramado em teu nome
É porque o permites

Se me deste olhos
Porque é que não vejo nada?!
Se sou feito à tua imagem
Porque é que eu durmo na calçada!?
Será que pedir a paz entre os homens
É pedir demais!?
Porque é que sou descriminado
Se somos todos iguais!?
Porquê!?

Porque é que os Homens se comportam como irracionais?!
Porque é que guerras, doenças matam cada vez mais?!
Porque é que a paz não passa de ilusão?!
Como pode o Homem amar com armas na mão?!
Porquê!?

Peço perdão pelas perguntas que têm que ser feitas
E se eu escolher o meu caminho será que me aceitas?!
Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei!
Eu acredito é na Paz e no Amor!

(...)

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Em jeito de homenagem a Zeca Afonso ...
foto: FCSH, 25 de Abril de 2001

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

foto: Serra da Arrábida

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

foto:Parque das Nações

Porque me olhas assim
Letra e Música: Fausto Bordalo Dias

diz-me agora o teu nome
se já dissemos que sim
pelo olhar que demora
porque me olhas assim
porque me rondas assim

toda a luz da avenida
se desdobra em paixão
magias de druida
p’lo teu toque de mão
soam ventos amenos
p’los mares morenos
do meu coração

espelhando as vitrinas
da cidade sem fim
tu surgiste divina
porque me abeiras assim
porque me tocas assim
e trocámos pendentes
velhas palavras tontas
com sotaque diferentes
nossa prosa está pronta
dobrando esquinas e gretas
p’lo caminho das letras
que tudo o resto não conta

e lá fomos audazes
por passeios tardios
vadiando o asfalto
cruzando outras pontes
de mares que são rios
e num bar fora de horas
se eu chorar perdoa
ó meu bem é que eu canto
por dentro sonhando
que estou em Lisboa

dizes-me então que sou teu
que tu és toda p’ra mim
que me pões no apogeu
porque me abraças assim
porque me beijas assim
por esta noite adiante
se tu me pedes enfim
num céu de anúncios brilhantes
vamos casar em Berlim
à luz vã dos faróis
são de seda os lençóis
porque me amas assim

Cristina Branco in "Ulisses"
(uma canção lindíssima e muito bem interpretada pela Cristina Branco)

Terça-feira, Janeiro 31, 2006


foto: Lagoa de Albufeira

«e um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar»

Ruy Belo

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

foto: Parque das Nações

Domingo, Janeiro 29, 2006

foto: Em frente à minha casa

Há palavras que nos beijam
Alexandre O’Neill/ Mário Pacheco

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Mariza in «Transparente»

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

foto: Lisboa

Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Maria Rita no Coliseu dos Recreios

Maria Rita proporcionou ontem à noite um concerto memorável em Lisboa, e hoje ainda há mais um... a não perder! Foi uma noite cheia de momentos altos, a «Santa Chuva» já no Pav. Atlântico tinha sido um momento arrepiante e no Coliseu voltou a sê-lo, para mim uma das músicas que Maria Rita deveria ter sempre nos seus concertos por muitos mais anos. A «Festa» foi quase sem surpresa a canção que fechou a noite e que melhor traduziu o espírito que se viveu durante todo o concerto. Venham mais concertos de Maria Rita!
Aqui ficam algumas fotos que consegui captar (peço desde já desculpa pela falta de qualidade das fotos, mas a distância do palco ainda era significativa para a objectiva da máquina)







fotos: Coliseu dos Recreios dia 9/01/2005

SANTA CHUVA
(Marcelo Camelo)

Vai chover, de novo
Deu na tv
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza ajuda de Deus
Mas nada pode fazer,
Se a chuva quer é trazer
Você pra mim
Vem cá que tá me dando
Uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
A tempestade.
Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor ? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez ?
Cadê aquela outra mulher ?
Você me parecia tão bem
a chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar ?
Que santo vai brigar por você ?
Que povo aprova o que você fez ?
Devolve aquela minha tv
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou... adeus
Meu coração já se cansou de falsidade.

Maria Rita in «Maria Rita»

Domingo, Janeiro 08, 2006

foto: Gerês

Sexta-feira, Janeiro 06, 2006

foto: Museu Joan Miró - Barcelona

Terça-feira, Janeiro 03, 2006

foto: Tróia

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

foto: Sesimbra

O Mar
Pedro Ayres Magalhães

Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
Nem sei se vale a pena
Tentar-vos descrever
O Mar, O Mar
E eu fui aqui ficando
só para O poder ver
E fui envelhecendo
sem nunca o perceber
O Mar, O Mar

Madredeus

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

foto: Lisboa

PODE LÁ SER
(Mafalda Arnauth / Luís Oliveira)

Troca esse fado, dá a volta à alma
E faz um canto menos só
Troca essa dor por algo melhor
Mesmo que seja em tom menor.

Sacode o medo
Que trazes preso à alma
E atrasa o teu andar
Tens onde ir que esse teu canto
Ainda tem tanto para dar.

Pode até ser
Um dia sem sol e a noite sem lua
Mas Lisboa sem o Tejo fica nua
Podem dizer
Que o fado perdeu a cor dos seus pais
Mas o fado, meu país, não morre mais.

Será defeito
Não ter o jeito ou por feitio
Fugir da tradição
Será tão diferente? Quando se sente
Só tem voz o coração.

Canto outra história
Faço a memória à minha medida
Mas tudo é tão igual
Que importa o tempo, se é sentimento
Senhores, é tudo Portugal.

Mafalda Arnauth in «Encantamento»

Terça-feira, Dezembro 27, 2005

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Sábado, Dezembro 17, 2005



Chuva
Jorge Fernando

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história

da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida

à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma

e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto

Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida

gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou

meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

Mariza

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005


foto: Cabo Espichel

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Foto: Nazaré

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

foto: Gerês

foto: Comporta

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

foto: Lagoa de Albufeira

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

foto: Algures no Porto

POR DENTRO DE MIM
(Tiago Torres da Silva / Diogo Clemente)

Pus uma primavera nos teus olhos
Que em verde acordaram a manhã
Foi nos ramos dos teus braços
Que eu vi a flor do mar dentro de mim
No ninho dos teus beijos
Um pássaro de fogo voou, dentro de mim
E no seu bater de asas
Espalhou do fogo as brasas
Testemunhas do lugar de onde eu vim
E querem que te aqueças dentro de mim.

Vejo o sol a nascer do teu sorriso
E agarro-me aos teus braços de setim
Um verão que sem aviso
Faz nascer marés dentro de mim
E eu descubro de repente
Um sol em quarto crescente dentro de mim.

Também soubeste ser folha d’Outono
Soubeste adormecer na hora certa
E as folhas mais bonitas
Escolheram cair dentro de mim
E o vento das palavras
Pôs as canções do oceano dentro de mim
Não temas ser Inverno
Porque o beijo mais terno
É aquele que se dá chegado o fim
Quando tu adormeceres dentro de mim.

Faixa 12 «Diário» de Mafalda Arnauth


Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

foto: Bica

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Domingo, Novembro 27, 2005

foto: Vista do alto do Parque da Serafina

Sábado, Novembro 26, 2005

Para proteger da chuva... nunca se sabe quando ela aparece...
foto: Barcelona

Quinta-feira, Novembro 24, 2005


Carlos do Carmo ao vivo

fotos: Corroios 2005

Estrela da tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes
que me acontecia
eu esperava por ti, tu não vinhas
tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
tardando-lhe o beijo, mordia
quando à boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhamos tardamos no beijo
que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz
que morria
em nós dois nessa tarde em que tanto
tardaste o sol amanhecia
era tarde de mais para haver outra noite
para haver outro dia.
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.
Foi a mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silencios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa
De fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram.
Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto.

Ary dos Santos

Quarta-feira, Novembro 23, 2005


foto: Sobreiro (Mafra)

Terça-feira, Novembro 22, 2005

foto: Sesimbra

Sábado, Novembro 19, 2005

foto: No chão de todos os dias...

Terça-feira, Novembro 15, 2005

foto: Alcochete

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

fotos: Porto 2005


Porto Sentido

Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
dum rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa

Rui Veloso

Sexta-feira, Novembro 11, 2005





Não poderia deixar passar em claro o lançamento do DVD dos Clã «Gordo Segredo». Este DVD vem comprovar que esta banda portuguesa não se limita a estar na música de forma passiva. Este DVD poderia ser como muitos outros lançados para o mercado em que se limitam a filmar um concerto e a gravá-lo e com uns pequenos extras... No entanto o «Gordo Segredo» não é apenas uma gravação de um concerto, teve todo um trabalho de imagem, de montagem, de edição que é de louvar (desde os planos, à mudança de tonalidades entre o preto e branco e as cores, entre muitos outros aspectos muito bem conseguidos). Ao vermos este DVD apercebemo-nos que tudo foi pensado ao promenor e sentimos que ali está muito do que é alma dos Clã. Nele podemos não só encontrar o concerto no Olga Cadaval, como também um documentário sobre os bastidores (da tour 2004) e outros extras. Parabéns aos Clã e a toda a equipa responsável pela realização deste DVD.

Para finalizar deixo-vos fotos que tirei nas Festas de Corroios 2004 (um excelente concerto que aparece no Documentário do DVD dos Clã)



Quinta-feira, Novembro 10, 2005

foto: Portas do sol (Santarém)

Terça-feira, Novembro 08, 2005

foto: Gerês

Segunda-feira, Novembro 07, 2005


Foi no passado dia 4 que tive a oportunidade de mais uma vez poder assistir a um concerto da Mafalda Arnauth. E mais uma vez a Mafalda teve a capacidade de me surpreender, é muito bom quando saímos de um concerto de alguém que já vemos a actuar há algum tempo e sentimos que não foi apenas mais um concerto.
A apresentação do «Diário» dominou quase todo o concerto, tendo ficado de fora apenas duas faixas deste novo disco. No entanto o espectáculo iniciou-se recorrendo a três canções dos álbuns anteriores («Fado sem fim», «Instante dos sentidos», «Pode lá ser») e finalizou igualmente com canções que já tão bem conhecemos desta grande fadista («Eu venho», «Lusitana» e «Meus lindos olhos»). Esta última música cantada sem qualquer acompanhamento musical e que deixou de certeza todo o auditório arrepiado e encantado com a beleza deste momento raro proporcionado pela Mafalda.
O «Diário» já está à venda e claro que o aconselho vivamente. Ainda não posso dizer se é o melhor dos 4 álbuns de originais, mas posso dizer que tem canções que já me caticaram por completo.

Sábado, Outubro 29, 2005

foto: Ilha do Pessegueiro

Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no brazeiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Rui Veloso

Sexta-feira, Outubro 28, 2005

Que luz procurar?!
foto: Da varanda da minha casa

Terça-feira, Outubro 25, 2005

foto: Braga

Quinta-feira, Outubro 20, 2005

foto: Em terras bracarenses

Quarta-feira, Outubro 19, 2005

foto: Num quarto

Terça-feira, Outubro 18, 2005


foto: Por onde passamos por vezes sem dar conta

A Teia

Tenho maneira de te convencer
Tenho modo e jeito para te prender
Tenho maneira de te convencer
Tenho modo e jeito para te prender

Vais perder a confiança
Vais perder a segurança
Que tu tens em ti
Olha bem p’ra mim
Não podes fugir
Não podes fugir
Nãos vais conseguir
Não vais resistir
Começa a sorrir
Tu estás dentro da minha teia
De onde não podes fugir, não
De onde não podes fugir, não

Humanos

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

foto: Numa esplanada perto de si

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

Clã - Apresentaram ontem à noite "Ao Vivo" no Santiago Alquimista
Num concerto em tom mais intimista aberto apenas a convidados, tive a sorte de ter como prenda de anos estar entre os felizardos e poder assistir a mais um concerto dos Clã, que para mim são o melhor grupo Português. Já para não falar daquela que eu acho ser uma das melhores vozes e a melhor vocalista a nível nacional (isto para não dizer a nível internacional), a grande Manuela Azevedo.
Entre os muitos convidados presentes nesta apresentação do novo disco, destaco a presença do Sérgio Godinho, do Jorge Palma, do Camané, do João Gil e do Carlos Tê.
Foi uma excelente noite! E obrigada pela prenda de anos não podia ter sido melhor. E como não podia deixar de ser partilho com vocês algumas das imagens deste concerto.




Quarta-feira, Outubro 12, 2005




a lua partida ao meio

olha a lua partida ao meio
de tão baixinha que está
quase leva as copas das árvores
e o cabelo dos homens altos.

se eu fosse muito guloso
comia esta lua em forma de queijo.

olha a nuvem, a nuvem branca
quer tapar o nosso queijo
nuvem gorda e sem vergonha
invejosa da luz da lua.

tu já viu que esta noite não tem vento?

olha a lua partida ao meio
se eu pudesse sentava nela
e ficava espiando a terra
e me via olhando ela!

Esta canção toma outra dimensão quando cantada por Maria João e Manuela Azevedo

Sexta-feira, Outubro 07, 2005

Qual é a cor da água afinal?

foto: Braga

Terça-feira, Outubro 04, 2005

Domingo, Outubro 02, 2005

Barcelona ... a respirar Gaudi

fotos: Sagrada Família

foto: Parc Guel

foto: Casa Mila

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

Uma manhã de Outono que não nos faz esquecer o Verão

foto: Tirada hoje da varanda da minha casa

Terça-feira, Setembro 27, 2005

BuBBles ....


Sexta-feira, Setembro 23, 2005

foto: Lagoa de Sto André

Quarta-feira, Setembro 21, 2005

foto: Portela do Homem (Gerês)

Terça-feira, Setembro 20, 2005

foto: Lagoa de Sto. André

Andorinha da Primavera

Andorinha de asa negra aonde vais ?
Que andas a voar tão alta
Leva-me ao céu contigo, vá
Qu´eu lá de cima digo adeus
[ao meu amor
Ó Andorinha
da Primavera
Ai quem me dera
também voar
Que bom que era
Ó Andorinha
na Primavera
também voar

Madredeus

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

Um local deslumbrante!!
foto: Gerês

Terça-feira, Setembro 13, 2005


foto: Nazaré

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

As cores de uma manhã...

Sexta-feira, Setembro 09, 2005

foto: Gerês

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

Um talento já há muito reconhecido tanto no nosso país como além fronteiras... Mas se dúvidas havia... quem assistiu no passado dia 6 de Setembro ao concerto da Mariza com o Jacques Morelebaum na torre de Belém, percebe a razão para esta grande cantora ter esse merecido destaque.

Quero partilhar com vocês apenas imagens de algo muito maior que representou o concerto da Mariza... Gostaria de poder descrever os momentos, os sentimentos, a emoção ... mas é indiscritível...















Segunda-feira, Setembro 05, 2005

foto: Algures na margem sul do tejo
foto: Mafra


I am the escaped one

I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.
My soul seeks me,
Through hills and valley,
I hope my soul
Never finds me.

Fernando Pessoa

Domingo, Setembro 04, 2005




Óbidos



Sábado, Setembro 03, 2005

foto: Porto

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

A Beleza Natural...


foto: Badoca Park

Quinta-feira, Setembro 01, 2005

Vamos á festa !!

Quarta-feira, Agosto 31, 2005


foto: Praia de Melides

Terça-feira, Agosto 30, 2005

foto: Sobreiro (Mafra)

Sábado, Agosto 27, 2005

Bom dia ...

Sexta-feira, Agosto 26, 2005


Não ser

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!

...

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

Florbela Espanca

Quinta-feira, Agosto 25, 2005

David Fonseca - Festas de Corroios 2004

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

foto: Porto


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

Alberto Caeiro
Qual a direcção a tomar ?!


foto: Sobreiro (Mafra)

Terça-feira, Agosto 23, 2005

foto: Lagoa de Albufeira

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

foto: Parque das Nações

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

foto: Porto

Abre a tua porta não tenhas medo,
Tens o mundo inteiro à espera para entrar.
Sorriso no rosto, talvez um segredo
Alguém te quer falar

«« »»

Deixa o mundo girar para o lado que quer
Não o podes parar, nem tens nada a perder
Estás de passagem.
Não o leves a mal, que o mande avançar
Talvez seja um sinal que não o podes parar
Estás de passagem
(para outro lugar)

«« »»

Vai a onde queres.
Sê quem tu quiseres.
Estende a tua mão.
A quem vier por bem.

«Deixa o mundo girar» - Pólo norte
Mafalda Arnauth - Festas de Corroios 2004



foto: Sesimbra

Domingo, Agosto 21, 2005

Um copo iluminado pela noite...

foto: Num bar perto do Chiado
Um dia de Verão ...

foto: Costa da Caparica

Sábado, Agosto 20, 2005

Mais um grande concerto ...
Ana Moura e Sara Tavares nas Festas do Fado no Castelo de S.Jorge




As imagens falam por si...

foto: Barcelona
foto: Em minha casa


«Nas utopias que até hoje se imaginaram faltou sempre imaginar o que aconteceria depois. Que se imagine uma vida em que se realizasse tudo o que se desejasse. Alguma coisa faltaria ainda em tudo em que já não faltava, e não saberiamos o quê. É isso que não sabes que é fundamental.»

Vergilio Ferreira

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

O Sol chama por mim ...

foto: Guincho

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

foto: Da janela da minha casa


Vestígios

noutros tempos

quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas - noutros tempos
os dias corriam com a água e limpavam
os líquenes das imundas máscaras

hoje
nenhuma palavra pode ser escrita
nenhuma sílaba permanece na aridez das pedra
sou se expande pelo corpo estendido
no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se

onde se pode - num vocabulário reduzido e
obsessivo - até que o relâmpago fulmine a língua
e nada mais se consiga ouvir

apesar de tudo
continuamos e repetir os gestos e a beber
a serenidade da seiva - vamos pela febre
dos cedros acima - até que tocamos o místico
arbusto estelar
e
o mistério da luz fustiga-nos os olhos
numa euforia torrencial

Al-Berto «Horto de Incêndio»
Sendo eu uma apaixonada pela música aqui vão ficando algumas das fotos que fui tirando dos melhores concertos a que fui assistindo:

Maria Rita no Pavilhão Atlântico


Só ...


foto : Lagoa de Albufeira

Quarta-feira, Agosto 17, 2005

O tímido olhar da lua...

foto: Da varanda da minha casa

foto: Sesimbra


Garça Perdida

Anoiteceu
no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar...
Só vei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar...
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar á volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia...

Dulce Pontes

foto: Porto


«Porque há qualquer coisa que não bate certo

Qualquer coisa que deixaste para trás em aberto

Qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu

E não podes deixar de sentir que o culpado és tu»

Jorge Palma «Balada dum Estranho»

O que está para além do que vemos...

foto: Óbidos

Terça-feira, Agosto 16, 2005

foto: Parque do Alvito (Monsanto)
As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Clã - Dia 12 de Agosto no anfiteatro Keil do Amaral

Um concerto inesquecível!



«E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.»


foto: Porto 2005
Flor no Peito

As mãos abrandam sobre o corpo
faz-se noite em segredo
na pele
difícil distinguir-te os contornos
mesmo de tão perto
apetece-me agora abocanhar a tua nudez
enquanto exala um perfume dessa flor
que seguras no peito

vermelha flor
não é sangue
apenas Amor

Ana Caeiro in «Segredos da Gaveta»
Uma forma de começar...


foto: Porto 2005